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janeiro 20, 2020

Como abandonamos a cidade grande e fomos para a Roça

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Em 2020 o sítio nova vida completa 10 anos de história. Entre risos e lágrimas, hoje, podemos dizer que tudo valeu a pena.

Mas há 10 anos atrás foi uma grande aventura. Um casal tipicamente urbano com dois bebês e sem nenhuma experiência em agricultura decide sair da segunda maior cidade do país, Rio de Janeiro, e mudar para um pedaço de terra nua sem eletricidade no meio da serra da Mantiqueira . Como é isso!?
Sinceramente, eu Maria Luiza, sinto que essa vontade nasceu em minha infância carioca quando vivia nos rios da Floresta da Tijuca nos fins de semana. A natureza sempre esteve em mim, o Divino se fazia presente nas trilhas daquela imensa Floresta urbana que me criou até os 19 anos e, até hoje, quando vamos ao Rio de Janeiro levamos as crianças aos mesmos caminhos. E elas criadas na roça, se sentem em casa.
Em 6 de janeiro de 2010 assinávamos a escritura do sítio, eu trabalhava em uma multinacional francesa, tinha acabado de conseguir a gerência regional RJ e ES, e Romero embarcava. Vida típica de classe média, muito trabalho e uma viagem anual. Uma filha adolescente e essa semente de sonho.

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No início, apenas uma vontade, um desejo impossível, um mito, mas a vida responde ao nosso trabalho. Em janeiro compramos o sítio, em dezembro nasce nossa segunda filha Bianca. E continuamos no Rio, trabalhando e viajando todo fim de semana para montar o sítio. Visitas a outras propriedades, cursos e dias de campo promovidos pela Emater e Epamig, muita pesquisa autodidata, antes da casa ser construída, plantávamos oliveiras e campos experimentais de physallis, amora e mirtilos para saber o que o sítio nos daria. E a terra responde ao trabalho com muita generosidade. Tudo se colhia e optamos pelas frutas vermelhas pelo seu valor agregado e por ser possível ao pequeno produtor familiar.

E começamos a construção da casa sede, um chalé de madeira que Romero idealizou e construiu com pessoas locais, pedra da fundação da própria terra..

Formando as culturas de amora, mirtilo e framboesa, além das outras para consumo próprio. Nunca pensamos em tornar o sítio comercial. Não compramos por isso. A logística dele é péssima comercialmente : 15 kms de estrada de terra de má qualidade e quase duas horas da Dutra que leva ao Rio. Está encravado em um vale cercado por 3 cachoeiras gigantes na serra da Mantiqueira, foi a beleza daquela natureza que nos encantou. Ainda fazíamos o trajeto Rio – Bocaina todos os finais de semana.

Isso era 2012, a primeira colheita de amora foi praticamente dada a uma fábrica de geleias e outra parte perdida no pé, porque não tínhamos câmara fria, ou estrutura para armazenar ou beneficiar a primeira tonelada de amoras, não sabíamos que daria tão certo e deu! E nesse meio tempo uma conhecida insistia conosco que deveríamos trazer os produtos da roça para o Rio. Eu ri da possibilidade, gerente comercial, sabia que era utópico. Mas Graças a Deus meu marido não era nada comercial e, por não saber que era impossível, ele acreditou e fez a primeira entrega com 3 produtos, o custo foi mais alto que o lucro mas Jussara nossa primeira cliente e incentivadora, nos pagou feliz, nos recebeu na sua cozinha. Conversamos olho no olho e vi que estávamos levando a ela um pouco da nossa história, do que acreditamos e as entregas começaram.

Percebemos que o que deixou Jussara feliz foi nosso propósito de vida, nosso servir alimento natural, artesanal e que era o mesmo que colocávamos a mesa de nossa família. Não era absolutamente o dinheiro, nunca foi só isso, se fosse não sairia do Rio. Era a relação, um ser humano servindo alimento de verdade a outro. Era como uma criança que descobre um tesouro, prove, olhe o que eu achei!

Era como ter achado um tesouro, a criança quer que o outro prove, e se encante também e foi aí que tudo começou…

Em agosto do mesmo ano de 2012 engravidei de nosso terceiro filho Miguel.

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